Emergência e Salvamento em Altura

 

(Imagem 01 – Acidente em altura – Foto retirada da internet)

A foto acima flagra uma situação relativamente corriqueira, trabalhadores que estavam executando uma tarefa em um andaime suspenso ou Jáu, ficam suspensos pela linha de vida após a ancoragem da plataforma colapsar, nesse  momento, deveria entrar em ação o plano de resgate previsto no plano de atendimento a emergências da empresa, este, já prevendo todos os cenários possíveis daria o protocolo mais eficiente  para o resgate destes trabalhadores.

Para auxiliar neste artigo utilizaremos como base o MANUAL DA NR 35 CONSOLIDADO, publicado em 04/04/2018 pelo Ministério do Trabalho, SIT – DSST, e o que diz nossa legislação no tocante as emergências verticais:

Item 35.6.1 da NR 35 – O EMPREGADOR DEVE DISPONIBILIZAR EQUIPE PARA RESPOSTAS EM CASO DE EMERGÊNCIAS PARA TRABALHO EM ALTURA. 

O empregador deve disponibilizar equipe apta para atuar em caso de emergências para trabalho em altura, que responda de acordo com o determinado no plano de emergências, não significando que a equipe é dedicada a esta atividade.

A realidade do dia a dia, nos permite verificar que estamos muito distantes ainda do atendimento a legislação e que o resgate em altura faça parte efetivamente do planejamento das atividades. Encontramos em algumas situações, principalmente em obras da construção civil e em plantas industriais, Brigadas ou Serviços de Atendimento a Emergências responsáveis pelos atendimentos de emergências verticais fornecidos por um contratante e que serve de maneira compartilhada para todas as contratadas, em muitos casos, este tipo de resposta contradiz o solicitado pela legislação, visto que o foco e dimensionamento desta equipe normalmente não contempla a ocorrência de situações de emergência simultâneas devido ao grande número de frentes de serviço executando trabalhos em altura ao mesmo tempo.

(Imagem 02 – Remoção de vítima por tirolesa – Foto TASK)

35.6.1.1 A EQUIPE PODE SER PRÓPRIA, EXTERNA OU COMPOSTA PELOS PRÓPRIOS TRABALHADORES QUE EXECUTAM O TRABALHO EM ALTURA, EM FUNÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DAS ATIVIDADES. 

Entende-se por equipe própria aquela composta por trabalhadores da empresa. A equipe externa pode ser pública ou privada. A pública pode ser formada pelo corpo de bombeiros, defesa civil, SAMU ou correlatos. A equipe privada pode ser formada por profissionais capacitados em emergência e salvamento.

Em algumas situações a equipe poderá ser formada pelos próprios trabalhadores que exercem trabalhos em altura, conforme definido no plano de emergências e em função das circunstâncias que envolvem as atividades. Os trabalhadores deverão estar capacitados a realizar salvamentos de emergência, resgate e inclusive o auto resgate, quando possível ou viável.

A legislação permite vários modais de equipe de resposta a emergências verticais, porém, a opção escolhida deve estar no plano de atendimento a emergências verticais, este incorporado ao PAE (plano de atendimento a emergências).

(Imagem 03 – Mosquetões para trabalhos e resgate em altura – Imagens TASK)

35.6.2 O EMPREGADOR DEVE ASSEGURAR QUE A EQUIPE POSSUA OS RECURSOS NECESSÁRIOS PARA AS RESPOSTAS A EMERGÊNCIAS.

Os possíveis cenários de situações de emergência devem ser objeto da análise de risco que repercutirá no plano de emergências, onde serão definidos os recursos necessários para as respostas a emergências. A utilização de equipes próprias, externas, públicas ou mesmo com os próprios trabalhadores deve considerar a suficiência desses recursos.

A legislação pede que independente do modal de resposta escolhido, o empregador deve garantir que os recursos necessários aos atendimentos de resposta, sejam humanos ou materiais estejam disponíveis. No caso de optar pela equipe formada pelos próprios trabalhadores, a empresa deve preocupar-se com o perfil psicológico desse candidato a resgatista, suas condições físicas, bem como prover treinamento de qualidade e acesso a equipamentos condizentes aos cenários existentes na operação. Outro fator importante são os simulados que servem para testar os planos de resgate e deixar os resgatistas familiarizados com os mesmos.

35.6.3 AS AÇÕES DE RESPOSTAS ÀS EMERGÊNCIAS QUE ENVOLVAM O TRABALHO EM ALTURA DEVEM CONSTAR DO PLANO DE EMERGÊNCIA DA EMPRESA.

O plano de emergências é um conjunto de ações, consignados num documento, contendo os procedimentos para contingências de ordem geral, que os trabalhadores autorizados deverão conhecer e estar aptos a adotar nas circunstâncias em que se fizerem necessárias. Este plano deve estar articulado com as medidas estabelecidas na análise de risco.

Outro fator importante é colocar todos os cenários, ações de resposta, recursos mobilizados e fluxos de comunicação e demais informações estejam no plano de emergência da empresa, plano este que deve dar a visibilidade que as  emergências verticais demandam.

(Imagem 04 – Treinamento de resgate em altura – Imagens TASK)

35.6.4 AS PESSOAS RESPONSÁVEIS PELA EXECUÇÃO DAS MEDIDAS DE SALVAMENTO DEVEM ESTAR CAPACITADAS A EXECUTAR O RESGATE, PRESTAR PRIMEIROS SOCORROS E POSSUIR APTIDÃO FÍSICA E MENTAL COMPATÍVEL COM A ATIVIDADE A DESEMPENHAR. 

O empregador deve assegurar que os integrantes da equipe de resgate estejam preparados e aptos a 

realizar as condutas mais adequadas para os possíveis cenários de situações de emergência em suas atividades.

A capacitação prevista neste item não compreende a referida no item 35.3.2, que estabelece o conteúdo e a carga horária para trabalhadores que executam atividades em altura.

Se a empresa, de acordo com o seu plano de emergência, tiver ou necessitar de equipe própria ou formada pelos próprios trabalhadores para executar o resgate e prestar primeiros socorros, os membros desta equipe devem possuir treinamento adequado através de simulações periódicas, como se fossem um caso real, para estar preparados a dar uma pronta e adequada resposta.

Optar por uma equipe profissional seria a mais coerente quando falamos de respostas verticais, entretanto, fatores como números e distancias entre locações, quantidade de trabalhadores envolvidos, questões envolvendo cadeia de fornecedores, etc, levam por vezes as empresas a compor a equipe de resposta com seus próprios trabalhadores ou utilizarem a resposta publica, opção esta que como podemos acompanhar nos noticiários chega a superar em mais de uma hora o tempo necessário para resgatar trabalhadores em suspenção.  Em qualquer que seja a opção escolhida, uma questão deve ficar clara aos empregadores: É ela a responsável pela resposta as emergências verticais envolvendo seus trabalhadores, assim, é ela também pelo resultado da qualidade desta resposta.

Investir na contratação de uma equipe profissional ou formar internamente uma equipe, nos parecem as escolhas mais sensatas a serem adotadas pelos empregadores, somados a isto, realizar constantemente os simulados e a atualização nos planos de resgate.

Trabalhamos em Altura, seguros!

Sobre o autor: JOÃO MARCELO RIBEIRO SARAIVA é Profissional em Acesso por cordas (alpinismo Industrial) com Certificação ABENDI, Especialista em resgate vertical avançado, Especialista internacional em sistemas de ancoragens, Supervisor de trabalho em altura N2 pelo sistema Task College, Técnico em Segurança do Trabalho com experiência em projetos onshore e offshore, Bombeiro industrial civil, Instrutor de treinamentos de NR 35 e NR 33, Instrutor de Resgate vertical e Montanhista esportivo a mais de 20 anos. É desenvolvedor do sistema Horus de gerenciamento de NR 35, Consultor técnico da Horus Soluções Verticais, criador do nó Borboleta Sergipana com 3 e 4 alças e de outros sistemas para atividades verticais.

 

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